Crise da saúde é tema de seminário no Senado
05/03/2010 15:51:10
O Instituto Brasileiro de Ações Responsáveis promoveu, nessa quinta-feira (04), no auditório do Interlegis, no Senado Federal, o II Fórum Nacional de Políticas de Saúde: Sustentabilidade do Setor no Brasil. O evento, da qual participaram deputados, senadores e representantes de entidades ligadas ao setor de saúde, além de gestores públicos e da iniciativa privada, traçou uma radiografia da crise por que passa a saúde no Brasil.
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Saúde, apresentou um quadro ruim para o setor em 2010, cujo déficit orçamentário ultrapassa os R$ 6 bilhões. Segundo Perondi, ao contrário dos países desenvolvidos, que priorizam a saúde, no Brasil apenas 38% dos recursos investidos no setor vêm do Governo. 62% saem do bolso do cidadão. “Não quero passar pessimismo. Sou um cavaleiro da esperança. Acredito no Sistema Único de Saúde (SUS)”, declarou Darcísio Perondi, ao encerrar sua palestra.
O Promotor de Justiça dos Direitos da Saúde, Jairo Bisol, declarou que a crise da saúde só vai ser resolvida com atitude política e não com atitude técnica, pois o Sistema Único de Saúde funciona. Perondi concordou com Bisol e admitiu a existência de barreiras, principalmente dentro da equipe econômica do Governo, que impedem a regulamentação da Emenda Constitucional 29, em tramitação há oito anos no Parlamento. Essa regulamentação vai acabar com os desvios de recursos da saúde, prática comum dos governos federal e estaduais, e colocar mais dinheiro no setor. “Infelizmente, a saúde não é prioridade neste Governo, apesar de todas as pesquisas de opinião apontarem a saúde como o ponto fraco do Governo Lula”, afirmou o parlamentar gaúcho.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Ações Responsáveis, organizador do seminário, os cuidados de saúde encontram-se ameaçados pela confluência de incontornáveis tendências: aumento da procura, custos elevados, qualidade irregular, incentivos inadequados – as quais, se ignoradas, irão sobrecarregar os sistemas, causando enormes obrigações financeiras para alguns países e problemas de saúde devastadores para seus habitantes.
Participação das centrais sindicais
O deputado Darcísio Perondi aproveitou sua palestra no II Fórum Nacional de Políticas de Saúde, realizado nessa quinta-feira (04), no Senado Federal, para desafiar as grandes centrais sindicais, como CUT e Força Sindical, a entrarem na luta pela regulamentação da Emenda Constitucional 29, que vai garantir mais recursos para a saúde e tirar o SUS da crise. “Por que essas centrais não estão conosco? Elas representam a maior parte das categorias trabalhistas do País, mas acreditam que todo trabalhador pode ter plano de saúde. Os seus dirigentes não conhecem a realidade do SUS. Se conhecessem, estariam nessa briga conosco. Eu tenho plano de saúde, mas jamais deixarei de lutar pelo SUS. As Centrais sindicais também precisam entrar nessa luta”, provocou Perondi.
Fonte: Assessoria do deputado Darcísio Perondi
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